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Levem meu coração para adoção! Não sou mais responsável por ele. Larguei-o de mão. Não tenho condições de sustentar algo tão exigente e rebelde. Sei que ele não pediu pra nascer, especialmente em mim, mas que fiquem cientes de que um dia ele foi amado e bem cuidado. Encontra-se numa fase problemática de sua vida, sabe… Coisa da idade, está ineducável, sem controle, desvairado. Encontro-me sem estrutura alguma para suportar seus caprichos, egoísmos, mimos e malcriações. Não aceito nenhum tipo de ajuda, já esperei muito tempo por isso. Apenas levem-no daqui! E que fique sobre aviso seu futuro tutor, que talvez essa fase difícil nunca passe e que talvez ele seja para sempre, apenas uma criança.
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Quanto menos comas e bebas, quanto menos livros compres, quanto menos vás ao teatro, ao baile, à taverna, quanto menos penses, ames, teorizes, cantes, pintes, esgrimes, etc., tanto mais poupas, tanto maior se torna teu tesouro, que nem traças nem poeira devoram, teu capital. Quanto menos és, quanto menos exteriorizas tua vida, tanto mais tens, tanto maior é a tua vida alienada e tanto mais armazenas de tua essência alienada. Tudo o que o economista tira-te em vida e em humanidade, tudo isso ele te restitui em dinheiro e riqueza, e tudo o que não podes, pode-o teu dinheiro. Ele pode comer, beber, ir ao teatro e ao baile; conhece a arte, a sabedoria, as raridades históricas, o poder político; pode viajar, pode fazer-te dono de tudo isso, pode comprar tudo isso; é a verdadeira fortuna. Mas sendo tudo isso, o dinheiro não pode mais que criar-se a si mesmo, comprar-se a si mesmo, pois tudo o mais é seu escravo, e, quando eu tenho o senhor, tenho o servo e não preciso dele. Todas as paixões e toda atividade devem, pois, afundar-se na avareza. O trabalhador só deve ter o suficiente para querer viver e só deve querer viver pra ter.
- Karl Marx em Manuscritos Econômicos- Filosóficos (via etalvezsejaisso)
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